
Clarice
Maio 12, 2008Acordei? Estou lendo “mal estar de um anjo”. Clarice, claro que é Clarice. É o que costumo ler quando acordo meio saudosista, repetindo “à flor da terra” mais de mil vêzes. Meu cachorro late, fazendo-me sentir o terrível remorso por ser a frustração da mãe que ele não teve. Odeio ser julgada, desde que li que quem julga as pessoas não tem tempo de amá-las. Meu coração bate forte, quase dá pra sentir o tamanho dele. Procuro em vão, então, as mãos que balançam o berço em que meu filho dorme e sonha com os anjos, com o mistério de todos os anjos que também rogam por mim em minha noite em claro, que nesse emaranhado de tanto pesadelo e de gente, simplesmente paro e sinto o cheiro amargo do frio que penetra cada poro do meu corpo. Escuto, então, em vão, uma canção antiga, que me faz lembrar da neve que cobre as folhas da cor da sua boca, que caíram no chão desde a estação passada. Do negro lindo e frio da noite clara e limpa que enfeita o céu dos meus sentidos.
